quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A ilusão da Análise Técnica, a disciplina e o controle emocional...

A Análise Técnica é uma ferramenta bastante importante para perceber os movimentos de um determinado activo, ajuda-nos a identificar tendências, suportes e resistências, e mais um conjunto de dados que serão fundamentais para as decisões que temos permanentemente de tomar quando investimos em bolsa.

No entanto, a grande maioria dos investidores está iludido relativamente às capacidades da Análise Técnica, pensando que é dela que depende o seu sucesso nos mercados de capitais. Na realidade a sua intervenção no processo de investimento restringe-se à identificação de alguns dados, mais ou menos precisos, de que se destacam os que atrás referi, mas não dá informações concretas de entrada ou saída, muito menos nos dá valores precisos para o fazer. Os dados identificados pela Analise Técnica sustentam um leque variado de decisões de investimento e, em última análise, são estas que acabam por determinar o nosso sucesso ou insucesso. O que é realmente determinante para conseguirmos ganhar em bolsa é a qualidade da Estratégia que definimos, a capacidade de sermos disciplinados no seu cumprimento que, por sua vez, exige que tenhamos um grande controlo emocional, sobretudo em fases mais voláteis dos mercados.

Desta forma não faz qualquer sentido pensar que, se um determinado investimento não teve sucesso, isso se deveu ao facto de a Análise Técnica, enquanto ferramenta, não ter funcionado, como disse, ela apenas serve para identificar dados concretos, não é uma “bola de cristal” e não toma nunca decisões, essas são da inteira responsabilidade do investidor. Os movimentos bolsistas são imprevisíveis, podemos colocar as probabilidades a nosso favor mas nunca poderemos ter certezas de nada. Assim a nossa Estratégia deverá ser o mais simples e objectiva possível, quanto menos decisões, não previstas na mesma, tivermos de fazer melhor, quanto mais racional e automático for o processo menos stress e maiores probabilidades de sucesso teremos.

Uma estratégia poderá, e deverá, ser ajustada de acordo com as experiências que vamos tendo nos mercados, mas há alguns componentes que são fundamentais, pilares inamovíveis de uma estrutura nos quais nunca se pode mexer. Sobre esses falarei em posteriores artigos tentando definir os elementos fundamentais de uma estratégia de sucesso que, mais uma vez, não servirá para nada, se não conseguirmos ser disciplinados no seu cumprimento, se nem a cumprirmos nunca saberemos sequer se realmente funciona!

Bons negócios!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Psi20 - Momento decisivo

Tinha prometido actualizar a minha analise ao Psi-20 de forma mais regular e acabei por demorar ainda mais tempo a fazê-lo, tenho tido problemas de acesso à internet e isso tem-me dificultado muita coisa.
Desde a última análise muita coisa aconteceu, o índice acabou por quebrar em baixa a formação lateral em que se encontrava e acelarou a sua correcção, encontrando-se agora muito perto de uma zona que me parece decisiva para a manutenção do bull market. Entre os 11.400 pontos e os 12.000 encontramos alguns suportes importantes que, quanto a mim, formam a fronteira entre a manutenção do bull market e a entrada em bear market!
Obviamente o mercado português está muito dependente do que se passar nos mercados internacionais, e pode-se dizer que todos estrão muito dependentes do que vier a acontecer nos mercados americanos. Não acompanho de perto estes mercados mas pelo menos o S&P também se encontra numa zona decisiva, pelo que me parece que as próximas semanas serão decisivas para o futuro próximo dos mercados mundiais.
De referir também que uma coisa são os índices outra são os títulos e, na bolsa portuguesa, existem situações muito diversas, alguns títulos há muito que estão numa fase claramente bear mas a maioria dos pesos pesados do Psi-20 continua a não dar grandes sinais de fraqueza. A excepção é o BCP que já corrigiu quase 40% relativamente aos máximos atingidos em finais de Junho de 2007 (há pouco mais de meio ano!!) e que já há bastante tempo deu sinais inequivocos de que se encontrava numa situação difícil.
Assim, neste momento parece-me sobretudo que se deverão ter muitas cautelas, os mercados não fogem e é preferivel entrar mais acima do que entrar antes do tempo e apanhar com uma correcção violenta. Entradas só se justificam em títulos que ainda mantenham uma tendência de alta e, ainda assim, com cuidados adicionais e stops apertados... e nunca com todo o capital que temos disponível.
Boa semana para todos e bons negócios

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Não me passa pela cabeça!

     Há uma semana atrás, em entrevista à RTP, Passos Coelho disse, a propósito das Parcerias Público Privadas (PPP), "não me passa pela cabeça que o estado português não pague aquilo que contratou, estradas, pontes, escolas...".  Devo dizer que não posso estar mais de acordo com o primeiro ministro de Portugal, cumprir os acordos estabelecidos é sem dúvida algo que não pode ser posto em causa, mesmo na situação atual do país, e independentemente das renegociações que venham a ser feitas.
     O que é estranho é que não lhe passando pela cabeça não pagar o contratado em regime de PPP, passe-lhe pela cabeça que o estado, que dirige, não passe aos quadros profissionais que foram contratados ilegalmente durante anos. Profissionais que viveram 5, 10, 15 anos na precariedade, com a promessa dos sucessivos govenos que em breve seriam colocados nos quadros.
     Não só lhe passa pela cabeça não passar estes profissionais aos quadros do estado, como, muito pior, lhe passa pela cabeça deixar de os contratar, ou seja, despedi-los!! E não só lhe passa pela cabeça, como o está a fazer! E não só o está a fazer, como o está a fazer sem pagar um único euro de indemnização a estes profissionais!!
     Eu diria que isto não passaria pela cabeça da maioria dos ditadores que  ainda governam alguns países no mundo, mas passa pela cabeça de quem governa um país supostamente democrático e sério como é Portugal!

Um professor...